quinta-feira, 30 de agosto de 2012

1º Trilho Urbano Portugal Running

Para quem está dentro do assunto muito se tem dito relativamente a este tema, particularmente e com autorização do Miguel Pinho, vou transcrever aqui o que ele escreveu e que subscrevo inteiramente....  após ler este texto só posso dizer que fiquei sem palavras!!!



Miguel Pinho
Então agora só falo eu.....


1º Trilho Urbano Portugal Running. Para quem não sabe, chamo-me Miguel Pinho , tenho 41 anos,casado , pai, natural da Freguesia de São Jorge de Arroios, criado na Graça e alfacinha. Feitas as apresentações,
tenho a dizer que quem criou este evento fui eu, e se tiverem alguma dúvida, disponham. Desde há cerca de um ano que entrei em várias páginas facebookianas,sendo mais assíduo na do Portugal Running. Este grupo, embora digam o contrário, é muito bem frequentado, bem como os restantes grupos. São grupos constituídos por pessoas, que ali relatam as suas vivências e conquistas, e merecem todo o respeito. Além de amantes das corridas e caminhadas, podemos encontrar ex-atletas, ex-sedentários, ex-fumadores e ex-obesos. Pessoas com carácter, muita força de vontade, que se devem orgulhar por não se resignarem a essa ex-condição, mas há quem os chame de vaidosos. Para quem não me conhece, e não vou fazer uma autobiografia, tenho bastante sentido de humor, respeito o próximo, sou solidário e voluntário. Prezo a amizade e a cumplicidade. Há quem duvide que eu saiba o que é desportivismo, mas também sei o que é a derrota e a vitória. Fui atleta federado e de selecção, com títulos nacionais, mas num outro cenário e modalidade. Sei perfeitamente o que é lidar com o sofrimento e a pressão, pois tive grandes mestres. Relativamente ao evento, e tudo o que foi escrito, dito, blogado, e pensado, tenho a dizer que aceito todas as criticas, observações, e opiniões. Não quer isto dizer que sejam justas, verdadeiras e sensatas. Falam do que não sabem, especulam o que não ouvem ou lêem, deixando no ar um sentimento de desconfiança e mau estar. A minha liberdade não está á venda, nem tem preço, tal como os meus direitos. Aos indignados, informo que querer silenciar alguém com ameaças judiciais, só porque faz perguntas incómodas e pertinentes, é bem mais grave e não deve passar em branco. O evento não é do tempo da outra senhora, nem eu, mas sim a atitude de quem pensa que é senhor de um “lápis azul”, de uma cidade e de uma mente iluminada que tudo de bom faz pelo desporto em Portugal. Por acaso alguém se deu ao trabalho de perguntar á pessoa responsável pelo evento quais eram as verdadeiras intenções e de que forma se realizará? Possivelmente alguns foram mandados, outros tomaram as dores. Resolveram expressar as suas frustrações de forma vil e desagradável, ferindo pessoas de bem e bem-intencionadas sem as conhecer verdadeiramente. Tenho coluna vertebral que me ajuda a percorrer caminhos e mantém em pé. Não rastejo, nem fico na sombra á espera do proveito alheio. Muito menos abano o rabo ao 1º osso que atiram, por vezes resultado de sobras. Quem é que falou, ou escreveu, em se infiltrar na prova, usufruir do que os outros pagaram, fazer o mesmo trajecto? Existe um evento que, no seu todo, de comum tem muito pouco com a prova. Mas é mais fácil chamar chico esperto, tuga, vaidoso, palhaço, anti-prova, penetra, invejoso, egoísta, ignorante e pseudo-atleta,. Acusar de sentimento anárquico, do quero posso e mando, ter argumentos delirantes, de não ter espírito de atleta, de fazer triste figura, que pensava que me iam sugar o dinheiro, que sou dono da cidade e indecente. Para quem já está a esfregar as mãos, desengane-se pois não é vitimização mas sim exposição de palavras difamatórias e levianas. Todos nos precipitamos na vida, quer através dos actos ou palavras. Temos direito á indignação, ao protesto, á opinião e liberdade de pensamento. Mas não nos podemos esquecer do dever de respeito pelo próximo. O evento vai servir, para os aderentes, como mais um treino e não de uma prova. Se alguém entender pegar na ideia para futuros eventos, penso que os organizadores terão outro cuidado e mais imaginação. Mais poder de encaixe e humildade nas criticas, fazendo assim com que proporcionem um produto mais atractivo, reformulando o modelo e preço das provas. Quanto á minha pessoa podem ficar descansados, pois não faço intenção de fazer disto escola. 

Aproveitem para reflectir, pensar ou algo do género. 
Saudações desportivas.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

....e ... a subida a Stª Eufémia ....

Um treino... pois é mais um treino de preparação para S. João das Lampas, mas para além de um treino original com uns "planos" girissimos é como sempre um prazer e uma satisfação treinar com o Portugal Running.

Desta vez a meu convite participou o Xavier (Xavier E Amélia) já conhecidos bloguistas mas pela primeira vez em "carne e osso".

Foi um prazer conhecer o bem disposto Xavier e tenho pena que a Amélia ainda esteja a recuperar da lesão dela e não tenha tido a oportunidade de estar connosco. Para uma próxima espero conhecê-la também.

Começamos o treino no Centro Comercial da Beloura onde foi o encontro e partindo dai para o Miradouro. Eu sabia que havia subidas íngremes mas a maior de todas algumas vezes tive que andar. Confesso que não fiquei muito preocupada porque vi alguns "especialistas" do PR a andar também.... fiquei tranquila. Senti-me optima e só não gostei quando inventaram a "descida técnica" no meio da mata :-(

Foi o meu teste.... acho que é mais fácil apanharem-me na areia que nos trilhos .... definitivamente! Na primeira descida "dita técnica" eu quis descer de rabo... o Carlos é que não me deixou porque disse que era degradante hehehehe mas depois lá fui menos mal...

Estou óptima mas por causa das descidas fiquei com uma bolha no pé :-( não doí... mas está lá!!!!

Gostei, gostei, gostei .... e gostava de repetir e houve quem sugerisse irmos lá a cima duas vezes ... não me importo, acho que vale a pena, para a próxima tenho que levar uma máquina melhor para aproveitar aquelas paisagens.

Algumas fotos ficaram enubladas de suor... ia com a máquina na mão e esqueci-me desse pormenor...

Aqui ficam elas para recordação de mais um treino fabuloso!!!

Antonio Correia, Rui Pedro Juliao, Xavier , Monica Quartin, Bento Quaresma, Gabriela Freitas, Sadiq Kassamo, Luis Afonso, Andreia Oliveira, Jorge Almeida, Miguel Pinho, Margarida Fernandes, Carlos Renato (Carlex), Ricardo Arraias e euzinha ...

 




























domingo, 19 de agosto de 2012

A foto da Ana

Recortei a foto da Ana Pereira.... não resisti.... está o máximo!!!
No final do treino :-)))))


Foto de Ana Pereira, com a Eugénia feliz!!!

sábado, 18 de agosto de 2012

Treino com Ana Pereira e Eugénia

Em conversa com a Eugénia num destes dias comentei em ir fazer um treino com a Ana Pereira... fica um pouco longe da nossa zona mas era muito interessante.

E assim foi... já era para ter sido mas foi hoje e hoje foi um bom dia.

Lá combinamos e fomos com o Josef no jipe dele até ao Parque Urbano de Stª Iria, pensei que fosse mais longe... e afinal nem demoramos quase nada no caminho...

Quando chegamos não tínhamos só a Ana Pereira à nossa espera, estava também o pai, como sempre seu companheiro e fotografo, o Rui e a filha da Ana e filha do Rui.

Corremos cerca de 15 minutos para aquecimento e dar hipótese às miúdas  e à cadelita (não me lembro do nome :-( !!!) correrem também.
O nosso treino começou depois.... e foi cerca de 1h00.... 
Não estava calor, nessa altura até estava o céu bastante enublado e depois foi abrindo aos poucos.

Corremos a um ritmo confortável para ambas e os homens acabaram por nos deixar sozinhas fazendo eles o treino deles e mais rápido.
Deu para conversar um pouco e para ser diferente, tantas vezes que eu pensei em correr com a Ana e ao fim de tanto tempo lá conseguimos... pelo menos um treino :-)

Gostava de repetir, ela precisa de ser motivada e eu e Eugénia puxamos por ela.

Espero não a ter deixado muito cansada porque já lhe falei no treino amanhã em Sintra, para quem vai à Meia Maratona das Lampas é um bom treino ;)

Umas fotos que tirei para recordação:









quinta-feira, 16 de agosto de 2012

homens vs mulheres

As principais diferenças que afectam o desempenho atlético e fisiológico das mulheres são os seguinte: 

 

Débito cardíaco é, aproximadamente 10% menor em uma mulher do que no homem de mesmo peso corporal.

O volume sanguíneo chega a 20% a menos do que os homens de mesmo peso corporal.

Para mesmo volume sanguíneo, elas tem 10% a menos de hemoglobina.

A Pélvis da mulher diminui a eficiência mecânica, por aumento do ângulo do osso do quadril para manter os joelhos mais próximos um do outro.

A mulher possui 10% mais de gordura do que a media dos homens.

Tendão de Aquiles é mais curto na mulher, este é importante para impulsão durante a corrida.

Por causa das diferenças anatómicas e fisiológicas , mulheres não podem alcançar a mesma potência de um homem, assumindo que factores com treinamento e dieta sejam iguais.



fontes:
Powers SK, Howley ET. Fisiologia do Exercício: Teoria e aplicação ao condiciomento e ao Desempenho. Tamboré. Manole, 2005 5ed.

Mcardle WD,Katck FL, Katck VL. Fisiologia do Exercício. Rio de Janeiro.Guanabara, 2008 6ed.

A MULHER CORREDORA

Achei interessante o que li e por isso vou transcrever o artigo.... 


Efeitos da prática de corridas de longa distância na mulher!


As corridas de longas distâncias constituem-se em uma das práticas esportivas que mais adeptos tem recebido nos últimos anos. Em função do crescente número de mulheres que adotam essa modalidade de atividade física, seus efeitos sobre o organismo feminino têm sido objetivo de inúmeras investigações científicas em vários centros de pesquisa no mundo todo.

Uma das preocupações que determinou uma atenção toda especial dos pesquisadores foi a dos efeitos sobre a produção de hormônios e o ciclo reprodutor da mulher. Vários relatos científicos mostravam que em determinados casos, a prática de corridas de longas distâncias podia interferir no ciclo hormonal da mulher, interrompendo a menstruação e levando à infertilidade.

Pesquisas mais detalhadas mostraram que tais casos ocorriam em consequência de exageros na intensidade da corrida praticada, e podiam ser revertidos com a modulação adequada da corrida em função dos níveis individuais de tolerância.

O consenso científico atual é de que, no caso da mulher, as corridas de longas distâncias podem trazer inúmeros benefícios para a saúde, desde que sejam respeitados os níveis individuais de aptidão física. Somente através de uma avaliação física individual será possível determinar os limites individuais de tolerância, e assim controlar o limite entre benefício e prejuízo.

Uma pesquisa recente realizada no CEMAFE mostrou que um grupo de mulheres que corriam entre 50 e 100 km por semana, respeitando os limites adequados de intensidade determinados através de avaliações físicas individualizadas, apresentavam em relação a um grupo de mulheres sedentárias:

- ossos mais fortes, com maior depósito de cálcio
- menor teor de gordura corporal
- maior quantidade de massa muscular em relação ao peso corporal
- aptidão física cardio-respiratória 80% maior que as sedentárias

Vale a pena ressaltar que todos esses benefícios eram obtidos sem nenhuma alteração dos níveis dos hormônios femininos, e com ciclo menstrual e fertilidade normais.

Conclui-se, portanto, que a prática de corridas de longas distâncias pela mulher pode ser extremamente saudável desde que respeitados os limites individuais de tolerância.


PROF. ESP. RODRIGO FARIA em CONSULTORIA ESPORTIVA
http://runningforworld.blogspot.pt/2012/08/efeitos-da-pratica-de-corridas-de-longa.html

Carla André a benemérita

Pois é.... a Carla André no treino de domingo passado deu-me a mochila que comprou com todo o amor e carinho para fazer a Ultra Maratona da Areia.... mas .... só leva 1 Litro de água.

A mochila já percorreu na praia alguns kms e por isso mesmo ela verificou que a mochila era muito pequena para a água que ela precisava para fazer tantos kms na areia :-)

Posto isto, como eu dei cabe do juízo da piquena com conselhos e mais conselhos de como tomar cuidado com as perninhas dela e mais as probabilidades de lesões que ela poderia ter.... ela sendo masoquista por natureza para contemplar o meu "blá-blá" chato resolveu oferecer-me esta mochila.

Obrigada Carla André, eu sei que tu sabes que eu sofro com falta de água e podes crer que é muito melhor correr com esta mochila do que com a garrafa de água à cintura :-)

Para a cintura já basta a máquina fotográfica :-)))))))))))) e o telemóvel !!!
Para além disso como o Miguel Pinho diz.... quando levar metade do peso que levo em cima de mim..... ninguém me agarra :-) hehehehe

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Os treinos agora são a subir !!!

Seja lá o que isto quer dizer.... Subir e descer e ganhar força nas pernas...

Vem aí Meia Maratona das Lampas ups! "Rampas" !!!

No primeiro ano que fiz esta prova "jurei" (em falso !!!) que não ia mais... no segundo ano achei uma maravilha!!! 

Vá-se lá compreender "esta mulher" :-)))

E por isso e por se falar em muita coisa fui lendo aqui e acolá e mais uma vez encontrei um texto interessante. Pode ser que muitos já o tenham lido... eu não! Claro que há algumas coisas que já sabia mas outras que foram novidade.

Por isso partilho aqui o artigo.



Subir escadas é benéfico no treinamento do corredor fundista?

Resposta do Professor Carlos Gomes Ventura

Sempre trabalhei atletas usando terrenos acidentados, ladeiras, montanhas, escadas para que estes tipos de exercícios dessem condições de melhora na força muscular dos membros inferiores, sem o uso de musculação em maquinas, determinação ao esforço solicitado e o corredor aproveitando e usando o peso do seu próprio corpo.

Logicamente as escadas, usávamos muito todos os degraus das arquibancadas do Morumbi, e do Centro Olímpico, os treinos sempre foram feitos com extremo cuidado para se evitar lesões, deixando explicito que somente o uso dos degraus para subir evitando a descida devido ao impacto que seria negativo.

Os intervalos sempre bastante calculados na programação e a alternância dos dias de treino também. Muitas vezes induzi meus atletas a fazerem os degraus das arquibancadas em substituição a subida da Av. Brigadeiro Luiz Antonio ou a Consolação (quando subíamos) os resultados foram positivos.

Em uma das São Silvestre quando ainda se subia a Consolação um dos meus fundistas, que teve resultado razoável na prova, atribuiu sua performance as escadas feitas no treinamento com bastante intensidade.

Carlos Gomes Ventura (Carlão)
blog: carlosventura8085.blogspot.com
Livro Manual do Corredor - A Grande Pirâmide



Resposta do treinador Nilson Duarte Monteiro

Sim. Então vejamos, não só subir como descer também é benéfico, porém, todo cuidado é pouco. Subir, bem como descer, deve-se fazer nas pontas do pés, principalmente descer, pois todo mundo tem a mania de descer tocando o solo com o calcanhar, haja coluna vertebral para aguentar o tranco.

Quando eu era atleta do Vasco da Gama, lá pelo idos de 1974, 75, nossos técnicos (tínhamos dois, Waldomiro Monteiro e Valdemar Montezano). Na época da base éramos levados para fazer subidas na serra de Petrópolis ou Corcovado, longões na areia (18km, Recreio dos Bandeirantes até a ponta da Barra da Tijuca), ou seja, de ponta a ponta e mais treinos de escadas (escadaria da Igreja da Penha).

Quando íamos fazer a escadaria da Penha, eles enfatizavam sempre, ponta dos pés na subida e na descida. Outro cuidado na subida da escadaria era pisar no centro do degrau, cuidado que eu não tive uma vez, estourei com a minha canela. Na parte final da subida, ou seja, quando a gente está mais pra lá do que prá cá, não prestei atenção e pisei em falso. Gente, me lembro da dor até hoje, pensei que tinha quebrado a tíbia. Levei quase um ano para fechar a pereba, treinava assim mesmo, mas a ferida era enorme e não sarava por nada, ainda mais sendo na parte que não tem nem um músculo, o fechamento da ferida demora mais tempo, em corredor de fundo é pior, porque o sujeito é só pele e osso, ou como dizem, só a gaióla.

Descer também tem-se que ter cuidado para não escorregar e cair sentado, além de descer correndo, pois descer andando demora mais e não trabalha direito os glúteos, ou no português claro, a parte de trás das pernas, essencial na corrida, mais até do que a parte da frente, a parte posterior da perna é que nos faz ir pra frente. Tenho um amigo, alguns já ouviram falar dele, Delmir dos Santos, um dos melhores corredores de fundo que já tivemos. Ele sempre dizia, correr a 3/1 dói a bunda, ou seja, aquele corredor que não tiver a musculatura traseira da perna fortalecida, vai sofrer na corrida, muito mais se correr em ritmo forte do começo ao fim da prova. Eu me lembro que quando dava tiro de 1.000m para 2'40", o que mais doía era ela, a bunda.

Descer escada, correr de costas, descer sempre vai ajudar a trabalhar/fortalecer a parte de trás da perna, pois é os músculos traseiros que nos levam para frente.

É isso, subir e descer escada é excelente para corredor de fundo, mas, é preciso praticar esse exercício com cuidado, sem exagero e com freqüência de uma vez por semana no máximo e na base. 


PORTUGAL RUNNING EM ACÇÃO  




 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

As Meias no Desporto....


O porquê deste meu interesse nas meias? 

Nas provas por vezes comento o facto das meias serem importantes para mim. Levei cerca de 2 anos a acertar com as mais correctas e as melhores meias para mim…. Assim como com os ténis!!!

Sempre, mesmo sem ser no desporto tive problemas com os pés… sensíveis demais ….
No ginásio é fácil controlar esse problema mas nas corridas de rua não, NÃO MESMO!

Com frequência ouço dizer “pois és muito fina, para mim qualquer meia serve” até as mais baratas.
Pois para mim não é questão de preço, é uma questão de conforto e é a diferença entre ter os pés “assados” ou não, ter bolhas ou não….

E afinal não estou tão errada quanto isso porque encontrei um texto com uma excelente explicação.

Vou transcrever o texto que está no site: 

As Meias no Desporto
Esquecidas, mas importantes…

Introdução:
Existem muitas pessoas, incluindo muitos profissionais de saúde, que negligenciam o trabalho de prevenção de lesões no membro inferior durante a pratica desportiva, que um par de meias adequado pode fazer.

É muito frequente ver que alguns profissionais de saúde dão conselhos para a utilização de meias que são desadequados para a prática desportiva, este factor explica-se, entre outros factores, simplesmente pelo facto de na formação da maioria desses profissionais, o tema das meias e tecidos ser pouco aprofundado.

Estes profissionais são muitas vezes confrontados com pedidos de ajuda para a selecção das meias mais adequadas para a pratica desportiva, não tendo um domínio absoluto sobre o assunto, a maior parte desses profissionais acaba por se guiar pelo chamado “senso comum”, que por vezes acaba por não se adequar, além do mais a evolução dos materiais e tecnologias do fabrico das meias tem acontecido a um ritmo alucinante, que mesmo os vendedores especializados por vezes sentem dificuldades em obter informação sobre as características destes novos materiais.

A primeira referência histórica desta peça de vestuário, reporta ao século V, feitas pelos matérias disponíveis na natureza tal como o algodão ou a lã.

Com o advento dos materiais sintéticos, as meias entraram na especialização, hoje além do design e material ou mistura de materiais adequados para cada pratica desportiva, existem mesmo meias desenhadas tendo em conta a ergonomia e pontos de pressão de cada pé (esquerdo e direito) individualmente.

O objectivo deste texto é reunir dados científicos sobre quais são os materiais adequados, quais são os factores a ter em conta para uma correcta selecção de meias para a pratica desportiva e qual é a sua importância na prevenção de lesões no membro inferior.

O calçado por natureza é um ambiente fechado e húmido, o pé humano possui cerca de 60,000 glândulas sudoríferas (120,000 o par), que produzem, em média cerca de 240 ml de suor (quase um quarto de Litro) por dia, em condições extremas (dias húmidos ou na pratica de desporto) estes valores podem chegar ao dobro.

Daí a importância da capacidade de gestão da humidade para o conforto e higiene dos pés.
Sabemos que o pé húmido (pele húmida) é mais facilmente irritável (bolhas), além de mais facilmente colonizado por microorganismos, ou mais permeável a substâncias irritantes (como por exemplo colas ou químicos utilizados na fabricação do calçado).

Também é verdade que o pé calçado sofre forças de pressão e abrasão (ainda mais intensas durante a prática de actividades desportivas), que são as principais causadoras das lesões dérmicas.

Principais lesões directamente ou indirectamente relacionadas com as meias:
Lesões ungeais; Hematoma sub ungeal, onicomicose, onicogrifose,
Lesões dermatológicas: LEDs (lesões elementares dermatológicas), nomeadamente bolhas de abrasão, hiperqueratose, heloma durum/mole.
Infecções; Infecções por fungos, bactérias, vírus ou leveduras.
Lesões por causas mecânicas: capsulites, bursites
Lesões por causas mecânicas contra proeminências ósseas: sesamoidites, halux valgus.

As Fibras:
Como já foi afirmado, é muito comum vermos citações e conselhos dados por profissionais de saúde acerca das meias adequadas a utilizar para a prática desportiva errados, baseados mais no “senso comum” que em estudos ou dados científicos, e o senso comum normalmente é a recomendação de meias fabricadas em algodão, evitando as chamadas fibras sintéticas ou químicas.
Até 1989 não existiam estudos relacionados com a eficácia das diferentes fibras na capacidade de evacuação do suor .
Kirk M. Herring e Douglas H. Richie realizaram um estudo onde se pode observar que mediante a utilização de meias compostas de fibras químicas se reduziu a ocorrência de bolhas, (21% de ocorrência contra 33% em meias de algodão).

No entanto as meias utilizadas (tanto as de algodão, como as de fibra de origem química) tinham sido fabricadas com uma felpa muito densa, quando os mesmos autores realizaram um estudo semelhante com meias genéricas (sem felpa densa), falhou em demonstrar claramente a superioridade das fibras químicas na redução das bolhas sobre o algodão, o que levou os autores a afirmarem que, além da composição, uma felpa densa é um dos factores essenciais para a prevenção das bolhas.

As fibras que absorvem a humidade são designadas por hidrófilas, enquanto as fibras que repelem a humidade são hidrofóbicas, o algodão retém três vezes a humidade das fibras químicas, e 14 vezes a humidade da fibra Coolmax©.

Quando expostas ao ar ambiente, as meias de algodão retêm a humidade por um período de tempo 10 vezes maior que as fibras químicas.

Fibras por ordem decrescente da sua capacidade hidrófila:
Algodão, Lã, Coolmax©, poliéster, polipoprilene.

A capacidade hidrófila das fibras é desejável, no entanto a quantidade de suor produzido durante a actividade desportiva pode chegar ao meio litro por pé, ultrapassando a capacidade hidrófila de qualquer material utilizado para a fabricação de meias (o material acaba por saturar, impossibilitando mais absorção de humidade), assim a melhor forma de lidar com esta humidade é a utilização de calçado respirável (como por exemplo rede de nylon/poliamida), onde o ar ajuda à evaporação do suor através do efeito hidrófobo das fibras das meias

A Felpa
Porque razão a felpa densa influencia o resultado dos estudos? A marinha Norte Americana, alarmada pela incidência das bolhas nos recrutas efectuou um estudo onde se pode observar que os recrutas que utilizavam as meias mais densas foram responsáveis por 11% do total das bolhas, contra 28% das meias mais finas (chamadas no estudo de “standard”)
As meias produzidas com fibras naturais (Algodão-Lã) quando absorvem a humidade, comprimem a felpa mais facilmente que as meias feitas em fibras químicas (poliéster, coolmax©, ao mesmo tempo as fibras naturais incham sob o efeito da humidade (45% algodão, 35% lã, contra menos de 5% das fibras químicas), estes dois factores reduzem os espaços com ar no interior da meia, reduzindo desta forma a capacidade de transporte do suor.
Assim podemos afirmar que quanta mais densa e firme for a felpa das meias (normalmente as meias técnicas desportivas, fabricadas a partir de fibras químicas possuem uma felpa mais densa e durável), maior será a sua capacidade de evitar as bolhas porque o efeito de evacuação do suor é mais eficiente.

As Meias Duplas:
Um estudo feito em 1993, com 1079 recrutas da marinha norte americana, testou 3 tipos diferentes de meias, o primeiro grupo utilizou as meias standard da marinha, feita de uma combinação de lã-algodão-nylon(poliamida)-elastano. O segundo grupo utilizava a mesma meia standard, mas com uma meia interior de microfibra de polyester (coolmax©), e o terceiro grupo utilizava um protótipo muito denso e com bastante felpa, fabricado em lã-polipropilene, com a mesma meia interior do segundo grupo, a conclusão deste estudo, demonstrou que a utilização da meia interna de coolmax© (grupo 2), com a meia densa reduziu a frequências de bolhas, comparando com a meia simples (40% contra 69%). Adicionando a meia interior em coolmax© à meia standard reduz significativamente a incidência de lesões que requerem visitas à enfermaria (24% standard, contra 9.4% standard mais meia interior).
Podemos assim concluir que a utilização das meias interiores (ou a versão moderna chamada meia dupla/dupla face) reduz significativamente o aparecimento de bolhas, alguns fabricantes de meias com este tipo de tecnologia especulam que as forças de fricção exercidas neste tipo de construção passam para entre as duas camadas de material, evitando desta forma que aconteça entre o calçado e os pés, ou entre as meias e a pele.

A Acomodação Correcta
Utilizar o par de meias adequado por si só não é uma forma de prevenir o aparecimento de lesões, os diferentes factores a ter em consideração são:
Calçado, Palmilhas, Meias
Sem contar com os factores externos, tais como; morfologia, biomecânica, excesso de treino. etc.
Estes intervenientes devem trabalhar em conjunto para melhorar a eficácia de cada um deles individualmente.
O Instituto para a prevenção da saúde dos pés (www.ipfh.org), além de outras instituições, e entidades relacionadas com a saúde e bem-estar dos pés recomendam o seguinte protocolo para a correcta acomodação dos pés:

1. Medição correcta dos pés descalços, utilizando um Brannock device
(www.brannock.com), seguida da escolha das meias adequadas à actividade a realizar e nova medição dos pés com as meias calçadas (um estudo efectuado por Douglas H. Richie, Jr demonstrou que a utilização de meias especificas de desporto com felpa densa aumenta o tamanho medido em 77% dos casos) (3).
2. Escolher as palmilhas ou ortóteses/ortéses adequadas (se necessário).
3. Escolher o calçado adequado, ás necessidades específicas da modalidade e ás necessidades individuais do praticante, (tipo de pé, morfologia, biomecânica, etc.)

Protocolo de acomodação:
1º Inspeccionar o pé.
2º Escolher as meias adequadas
3º Medir os pés (com meias calçadas)
4º Escolher palmilhas (ou ortoteses se necessário)
5º Escolher calçado adequado


As meias Além do Desporto:
O Instituto para a prevenção da saúde dos pés (www.ipfh.org), patrocinou alguns estudos sobre a utilização das meias, nomeadamente um estudo sobre a relação entre a pressão plantar e as meias em pacientes diabéticos com sensibilidade reduzida, que demonstrou a eficácia das meias na redução da pressão plantar, ou um outro estudo em que se demonstrou a redução em 51% dos sintomas de dor relatados por pacientes com artrite reumatóide.

Conclusões:
O papel das meias na prevenção de lesões no membro inferior (dérmicas) é de um modo geral subestimado.
Muitas pessoas (incluindo muitos profissionais de saúde) crêem que as meias mais eficazes para a prevenção das lesões são as fabricadas em 100% algodão, esta crença está desajustada da realidade, Vários estudos demonstraram que as meias fabricadas em fibras químicas (por exemplo; poliéster ou poliamida) provaram ser superiores, no papel de prevenção de bolhas, nomeadamente os modelos que possuem uma felpa densa, ou dupla camada (o que contraria a crença que as meias mais eficazes para certos tipos de desporto como corrida são as mais finas).
As fibras químicas devido à sua superioridade em evacuar o suor e de manter uma felpa densa por mais tempo durante a vida útil das meias, são mais adequadas para a fabricação de meias técnicas desportivas (especialmente as microfibras como por exemplo o poliéster da marca registada, Coolmax©).
A utilização de dois pares de meias ou das chamadas meias duplas contribui para a redução das forças de pressão/abrasão, diminuindo desta forma a incidência de lesões.
A melhor forma de evitar as lesões de pressão e abrasão no membro inferior é através da correcta escolha e utilização de todos os intervenientes na acomodação dos pés; Meias, palmilhas (ortóteses/orteses quando necessário) e calçado.
A acomodação correcta é de importância vital para que o efeito das meias seja correcto, para tal é necessário notar, que ao se utilizar meias com felpa densa (ou mais de um par) o tamanho do pé aumenta em 77% dos casos, obrigando à escolha de calçado um tamanho maior ao normalmente utilizado.
Além do importante papel na prevenção de lesões no membro inferior durante a prática desportiva, as meias podem desempenhar um papel muito importante noutros campos como na prevenção de úlceras plantares em pacientes diabéticos, ou na redução dos sintomas de dor em pacientes com artrite reumatóide.