segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Treino.... 35kms para a Maratona :-)


Para este treino resolvi comprar à pressa outros ténis, não tinha opção!!!

Ainda à pouco tempo comprei uns a pensar que seriam o ideal, e afinal apesar de já conhecer o modelo dos Nike Lunareclipse+ 2, a "actualização" do mesmo, para mim foi pior e não melhor.

Continuo a optar pelos Nike Vomero.
Comprei os Nike Vomero +7 (e ainda consegui uma promoção!!! ), desta vez mesmo comprados à pressa pois já nem tempo tinha para grandes experiências.

Apareceu muito pessoal para o treino PR e alguns não conhecia.... foi um muito giro! Foi um prazer conhecer o pessoal novo :-)

Para além da Paula Marques ir tentar pela primeira vez fazer um treino longo, mais de 21kms, era também um teste para mim e para a minha perna, assim como para a Andreia e Gaby que querem fazer a Maratona pela primeira vez.

Combinei com o Heitor que iria com eles na Maratona para em conjunto a fazermos com a Andreia, e ele muito simpaticamente deu-me algumas dicas de treino até ao dia da prova. Obrigada Heitor :-)

Sendo assim e se tudo correr dentro dos conformes estarei em condições de fazer a Maratona. A perna não esteve a 100% e o pé também doeu um pouco, mas nada que me obrigue a desistir e a partir dos 30kms fiquei anestesiada e nem sentia mais dor nenhuma, nem perna, nem pé….

Tive uma experiência terrível por duas vezes com dores de barriga e uma delas por culpa minha, a burra "aqui" toca de beber o gel todo de uma vez, claro que o baço inchou e fiquei aflita com dores. Carreguei num sítio da barriga que o António Correia me ensinou e depois fui ficando um pouco melhor.

Só sei que correr com os Georuners Portugal por perto é do melhor que há, aprendemos sempre muita coisa. Recordo-me também de algumas dicas dadas pelo Rui Pedro Julião no Jamor.
Gostam de ajudar e só tenho a agradecer...

É claro que há sempre muitos que dão dicas, mas quando essas mesmas ajudas vêm de pessoas que percebem do “assunto” e têm uma vasta experiência é sempre diferente.

O Carlos até cerca dos 30kms sentiu-se bem, mas depois o joelho dele ficou mal...
Ele já se tinha queixado de dores no joelho e onde era suposto ele ter fragilidade eu apliquei a bandas de kinesio e acabou por ter a dor lateral…

É melhor ele não esforçar… sendo assim ele desistiu de fazer a Maratona. Vai com a Paula Marques fazer a Meia-Maratona têm é que ficar na meta a trabalhar para nós e tirar muitas fotografias quando entrarmos no estádio 1º de Maio :-))))))

Posto isto, agora os meus ouvidos são todos para a orientação do Heitor Gomes ….

O Heitor foi um querido, obrigada !
Ele levou garrafas de água, bolachas de chocolate, minis cerveja preta, pipocas ….

Teve o cuidado de emprestar a bicicleta para a Mónica Quartin nos poder acompanhar, visto não poder de momento fazer grandes esforços e estar em convalescença.

Este ano não tenho treino suficiente para me aventurar a melhorar tempo, mas para o ano quero fazê-lo, bolas!!! Quero mesmo!!! A experiência também me vai valer de alguma coisa :-))

Algumas fotos do treino :














 
























"For He's a Jolly Good Fellow"






Hoje sou eu que quero falar do António Correia. 









O António contou a sua história publicamente: o seu feito extraordinário na “Maratona do Círculo Polar Árctico 2012”:

António Correia e a sua história contada na primeira pessoa:



Sem entrar em “bajulação barata” :-))) quero dizer que, como pessoa, o António é um homem extraordinário que eu admiro muito. 
Além de outras características, impressionou-me duma maneira extremamente positiva a forma como ele fez a sua preparação. Até a forma como ele conseguiu ultrapassar a lesão antes do início da Maratona é admirável!
Achei que todo o processo foi organizado com uma minúcia incrível e, embora repleto de emoção, nunca deixou de ser racional. O António fez algo que não é comum: preparar-se para uma Maratona, que terminou com uma boa classificação, respeitando sempre o seu próprio corpo. Sublinho a extrema importância deste controlo, o qual aprecio muito e poucos têm.

Acho o António incrível como companheiro de corrida, pela sua forma afável e bem-disposta, pelo modo como transmite as suas opiniões e pela ajuda que, dentro da sua vasta experiência de atleta, dá aos outros.

É uma pessoa que eu muitas vezes aborreço com perguntas e mais perguntas sobre variadíssimos temas, desde os ténis às lesões e ele, sempre muito educadamente, satisfaz todas as minhas dúvidas.
Na minha opinião, o António é um exemplo enquanto atleta.

Por tudo, quero demonstrar publicamente a minha admiração pelo António Correia.
Obrigada por correres connosco e seres nosso amigo.



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Como se costuma dizer? Escutando o corpo…..



Pois é, ando a analisar o meu corpo e a tentar perceber como funcionar…

A Maratona? Pois já não penso em melhorar ou em piorar tempos, ou seja lá isso o que for. Quero fazer a Maratona, ACABAR e sem ficar com dores… tal como fiz as outras que a nível muscular não me custou nada!

Algumas coisas que já tinha ultimamente têm-me chateado… o que implica alguns retrocessos, mas vou primeiro pensar com a cabeça em vez de ser emotivamente!!!

Tenho 2 problemas que se agravaram, são meus é certo, mas ao publicar aqui pode ser que alguma vez possa estar a ajudar alguém de alguma maneira …. Embora os ache estranhos, pelo que tenho apurado não são tão incomuns quanto isso…. A única diferença é que não conheço ninguém de perto que os tenha!!!


Primeiro e desde sempre….  Dedo em Martelo


O Dedo em Martelo é aquele onde a deformidade ocorre na articulação do meio do dedo, ocasionando flexão plantar e produzindo uma calosidade dolorosa na parte de cima pelo atrito da articulação deformada com o calçado. É mais frequente em dedos longos e pode aparecer como deformidade única ou em vários dedos (múltipla).

No meu caso é o segundo pododáctilo. (2º dedo a contar do dedo grande)


O que faz com que tenha uma série de ténis bons e com as melhores indicações acabando sempre por optar pelos NIKE VOMERO de homem por serem mais largos à frente.

Quando se corre 10kms ou 20kms não faz diferença…. A partir daí é pior, não só pelos kms mas até a temperatura do pé.

No inverno é costume ter os pés gelados e quando começo a correr tenho dores até os pés aquecerem, principalmente nos dedos porque é como se estivessem “no ar” e ao tocar no chão sinto “choques eléctricos”…
Quando tenho os pés quentes, incham e tenho cãibras quando uns e outros tocam entre si….

Mas com silicone vou resolvendo por vezes a questão. O pior é quando se de uma vez resolve da outra já não e eu fico baralhada com o que fazer….

Hei-de experimentar meias com dedos, é capaz de resultar….


E agora para chatear o SÍNDROME DO PIRIFORME


A SÍNDROME DO PIRIFORME é causada por trauma no local, hiperlordose (nas grávidas), em atletas (maratonistas, ciclistas e praticantes de spinning) e hábitos posturais não saudáveis. Acontece devido a uma contratura deste músculo que comprime o nervo ciático em seu trajecto na região glútea.
É uma irritação do nervo ciático provocada pelo aumento da tensão ou espasmo do músculo piriforme.

Uma boa explicação aqui : 
É comum em desportos que requerem corrida, mudança de direcção ou descarga de peso excessiva. Os seguintes factores podem também favorecer o aparecimento da síndrome: corrida em terrenos duros ou irregulares, subir escadas, actividades que exijam muito agachamento e uso de calçados inapropriados para o tipo de pisada ou gastos demais. 
(no meu caso é neutra, já fiz dois testes de forma diferente e deu sempre neutra, com ligeira tendência a pronador)

A melhor maneira de prevenir a síndrome do piriforme é mantendo os músculos, que participam do movimento de edução e abdução, alongados e fortalecidos. Além disso, antes de praticar qualquer actividade física, é de extrema importância realizar aquecimento adequado. – o que muitas vezes é esquecido com a conversa !!!!

Assim como os alongamentos, SEMPRE !!!!!



E assim meus amigos vou-me entreter até conseguir resolver isto da melhor maneira, mas como podem calcular com algum prejuízo no que me propunha fazer.

O treino... e a prova "Corre Jamor 2012" !!!


No passado domingo, antes de irmos fazer a prova "Corre Jamor" fomos treinar. Os quilómetros a mais que temos que ir fazendo é por conta da preparação para a Maratona. Desta vez levei os ténis velhos (Vomero 6) que até já estavam a romper à frente, depois da prova romperam de vez.

Porquê??? 
Aindaaaaaaaa para meu mal, ando a testar ténis e outras coisas mais, como por exemplo, as meias. Nesta altura já devia estar tudo testado e a funcionar em pleno para o próximo fim de semana, os 35kms serem feitos como se fosse realmente a Maratona. Se umas vezes parece que tudo funciona, na vez seguinte já não!!!

Ando nisto por causa da minha dor na perna e ao mesmo tempo a tentar decifrar a dor. Pois não é nada mais do que o Sindrome do Piriforme :-( que me "ataca" desde os treinos da Meia Maratona de S. João das Lampas.

Pelo pesquisei tem alguma lógica após ter lido um comentário assim: 
"Alguns especialistas chamam a síndrome do piriforme de "Síndrome do bumbum sarado", pois pode ocorrer também nas pessoas que exercitam demasiadamente os glúteos."

Naquela altura os meus treinos baseavam-se em 95% das vezes no Jamor e Monsanto no sobe e desce, acrescido aos treinos com o Miguel "Rampas" Pinho :-) em Tercena/Massamá e posteriormente em Lisboa....


Jamor, Jamor .....   

Depois de termos trocado as camisolas que já estavam todas molhadas da chuva, deslocámo-nos para o ponto de partida da prova do Jamor.
Foi muito engraçado o Senhor do microfone na altura da partida desatar a dizer o meu nome.... variadíssimas vezes! Tenho pena de não ter conseguido perceber quem era :-( alguém que eu conheço, visto não ser nenhuma vedeta para tantas vezes dizerem o meu nome....

Lá fomos nós fazer a prova, em ritmos de treino como combinado.... o Carlos estava aflito do joelho e eu do "bumbum". Se nós acelerássemos a Paula iria ficar sozinha e não era o pretendido e o Jorge também alinhou fazer a prova na "descontra". Assim tive oportunidade de tirar fotografias na prova também.
Só não tirei mais porque o chão parecia manteiga por causa da chuva.

O Carlos e a Paula foram ficando para trás e eu e o Jorge avançamos um pouco e sempre na conversa. Nessa altura ele foi-me explicando o beneficio dos ténis de trail porque eram muito mais estáveis e alguns truques para pôr os pés, assim como ter que levantar os pés do chão !!!! O meu eterno mal...

Quando cheguei a meta voltei a ouvi o meu nome inúmeras vezes... obrigada pela deferência seja a quem for... com a confusão acabei por ficar mesmo sem saber quem era que estava ao microfone.

No fim da prova eu e o Jorge chegámos cerca de 3 minutos à frente do Carlos e da Paula. Enquanto os esperava  para tirar uma foto tropecei em mim mesma, rodopiei e cai de rabo no chão, aos pés do fotografo que lá estava .... que vergonha!!!! mas como eles já estavam próximo tirei a foto assim mesmo sentada no chão :-)

Fiquei toda molhada :-( 
Quando nós estávamos a vir embora encontrámos o Heitor e nessa altura combinou-se o treino do próximo FDS para os 35kms!


De resto posso dizer que me senti melhor com os ténis velhos, fiquei com menos dores e tenho feito muitos alongamentos o que é essencial, neste caso imprescindível. Talvez o piso também tenha influenciado .. o alcatrão é muito duro...

Foi também neste treino / prova que combinamos ir fazer o nosso primeiro trail com a orientação do Jorge Almeida. Ele diz que o  TRAIL DE PENAFIRME não tem muita elevação e é bom para começar :-))) assim espero!!!!

E as fotos:




















quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Correr ou não correr com música?



A corrida com música ajuda ou prejudica os atletas? 


Como quase tudo na vida, há os prós e os contras.

"Existem pessoas que podem e outras que não podem", sintetizou o director Técnico do Grupo Esportivo Personal Life, Ricardo Hirsch, também colunista de Triathlon do ativo.com. "O que acontece é que a música na corrida, para algumas pessoas, acaba interferindo no ritmo e na respiração, e se a pessoa não tem controlo sobre isso pode acabar apertando mais o ritmo, e essa oscilação não é correcta”, exemplifica.

Entretanto, Ricardo ressalta que há estudos recentes que mostram que correr com música pode interferir positivamente no desempenho desportivo. "Para um corredor amador é um momento de tanto prazer, que ele pode fazer uma associação boa com a música", diz Ricardo. 

Ricardo tem uma óptima dica para os que estão a começar e para os que ainda não se pensaram na dinâmica da corrida com música. "O que eu digo aos meus alunos é que se eles querem ouvir música no dia de uma prova precisam aprender a fazer isso antes nos treinos. Não faça na prova se não testou nos treinos. 

O preparador físico Felipe Romano, pondera que corredores mais experientes não gostam muito de correr ouvindo música, pois preferem, por exemplo, escutar a respiração para terem parâmetro para saber se a corrida está ou não sendo eficiente. "Mais ou menos com os atletas fazem, geralmente eles não correm a ouvir  música e também não gostam de correr carregados, preferem  sentir-se mais leves", complementa Felipe que, no entanto, gosta de música, principalmente nos treinos longos.

O treinador Miguel Sarkis, autor do livro "A Construção do Corredor",  coloca luz à dualidade que existe na questão. "A música pode ser tornar aliada ou carrasca, dependendo somente do local onde se utiliza e a fase que se encontra o corredor".

"Se o corredor é iniciante, não tem preocupação com a forma física, poderá utilizar músicas mais suaves e curtir um passeio no parque. Já a música mais intensa, nos dias de treinos mais rápidos, de ritmos, poderá acelerar as passadas e contribuir para conquistar melhores resultados. Em provas, é uma caixa de surpresas, porém, o que pude notar em vários eventos no mundo, a música, em determinados trechos das provas, nos permite acelerar ainda mais, mesmo em maratonas", diz Miguel.

Contudo, Miguel diz que não se pode esquecer da segurança, e lembra o acidente no qual se envolveu o músico Marcelo Fromer, atropelado por uma moto em alta velocidade e morto enquanto corrida na rua, ouvindo música. "Há empresas de seguro saúde que não querem arcar com eventuais problemas em provas caso os corredores estejam a utilizar aparelhos sonoros individuais", acrescenta.

"Acho que de uma maneira ou outra a música acaba ajudando na performance, pois pode colocar uma música que estimula, ou mesmo um que coordene as passadas..  DOPING?? Por isso a proibição em inúmeras provas", complementa Alexandre.

Como muitas outras coisas, aquilo que em doses certas pode ajudar, em doses e momentos errados pode prejudicar. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Américo Solipa




Foi com muita tristeza que hoje recebi a noticia do falecimento do meu tio ..... o meu segundo pai!

"Tenho um tio formidável que desde sempre foi o meu mentor nestas lides, de seu nome Américo Solipa, agora reformado mas que foi um dos responsáveis do IND da zona Algarvia, e que em muitos momentos me incentivou e orientou, sendo ele um desportista dentro dos desportistas."

http://www.correrporprazer.com/2010/05/henriquetices/



 
 


Américo Solipa
O livro "Algarve Maior" vai assinalar o ano da edição número 1.000 do "POSTAL" com as Personalidades e Entidades mais relevantes nos últimos 23 anos, 03 de Fevereiro de 2011 (Tavira)

ALGARVE MAIOR
100 personalidade e 100 entidade

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Treino para a Maratona e seus Erros



Acessível e largamente defendida como actividade que faz bem à saúde e emagrece, a corrida de rua tem atraído multidões. O problema é que, sem orientação adequada, muita gente comete erros de treino. Um estudo feito com 115 praticantes recreativos de corrida mostrou que 37,7% já tinham sofrido alguma lesão. As de joelhos são as mais comuns. Outro estudo estima que 60% dessas lesões são causadas por erros de treino.

Em uma hora de corrida, bate-se o pé no chão cerca de 6 mil vezes. A cada passada, os pés “apanham” com uma força equivalente a pelo menos uma vez e meia o peso corporal. Como o esqueleto humano não é feito de titânio, essa agressão gera consequências. O impacto não é um vilão por si só. Maratonistas e ultramaratonistas profissionais conseguem sobreviver bem a ele com a preparação adequada.
O problema é aventurar-se em treinos intensivos com metas imprudentes – como sair do sedentarismo para as corridas de rua ou inscrever-se para a primeira maratona um ano depois. Segundo um estudo da Faculdade Estadual da Califórnia, cerca de 60% das lesões são decorrentes destes erros.
Um erro comum é basear-se somente em ganhar rotina para correr mais e mais. Como o trabalho cardíaco melhora em cerca de três semanas, o ex-sedentário tende a sentir-se atleta precocemente. Mas os músculos levam cerca de três meses e as articulações precisam de nove a 12 meses para alcançar uma boa performance. Desrespeitar esse prazo é pôr o esqueleto em risco. “É como acelerar um carro que tem um motor bom e uma suspensão má”!!!
A maior parte das pessoas acham que um alongamento antes e outro depois é suficiente, por vezes até o facto de acharem que se correrem devagar não é preciso…. Algumas lesões são provocadas por desleixo nessa área. O ideal é sempre contrabalançar com alguns exercícios que envolvem musculação, ou natação e bicicleta… Para os mais exigentes exercícios educativos para correcção da técnica da passada, sessões de massagem e exames periódicos.
O ideal é que a distância total não aumente mais que 10% de uma semana para outra e que ela não ultrapasse 64 quilómetros….
É no repouso que acontece o benefício da actividade física. O treino é uma agressão. Na recuperação, enzimas voltam ao lugar, a energia é devolvida aos músculos. O descanso é um treino invisível.
A função principal do “longão” é trabalhar a resistência, não a velocidade (para isso servem os treinos intervalados). Portanto, acelerar feito um louco nesse treino mais longo da semana é o típico erro dos corredores mais ansiosos. Se acelerar demais o corredor ficará cansado e o efeito do treino perde-se em parte….mas existe também o outro lado, se for muito lento em relação à velocidade que se está habituado, podem surgir dores, por causa da diferença de ritmo. Dose certa e lembrar sempre da frequência cardíaca.
De acordo com o ortopedista Alexandre Sadao, do Instituto Vita, é importante ficar perto de 75% da FCM (frequência cardíaca máxima). “Acima disso, o risco de lesão aumenta, pois estará exigindo muito do corpo”.

Apenas corredores em níveis mais avançados podem trabalhar a velocidade e acelerar um pouco mais no longão. Os chamados "longões progressivos" são usados por corredores experientes para trabalhar velocidade e resistência ao mesmo tempo. Em um treino de 30 km, por exemplo, o atleta pode aumentar a cada 5 quilómetros a velocidade até chegar nos 5 finais com o ritmo pretendido para a maratona.
Quem treina para a primeira maratona deve ficar mais preocupado em manter a frequência controlada nessa faixa de 75% da FCM. Os que estão procurando melhorar o tempo da maratona podem colocar mais qualidade no longão e elevar um pouco mais a frequência em alguns desses treinos.
Dois exemplos:
Mário Sergio Andrade Silva, director técnico da assessoria desportiva Run&Fun, conta que, por causa do crescente número de lesões entre seus clientes, foi preciso fazer uma campanha interna de conscientização para convencê-los a obedecer ao planeado e adiar a meta de cumprir uma maratona. Muitos detestam ambientes fechados e só aceitam treinos ao ar livre, por isso fogem da musculação. Mas ela é uma das grandes responsáveis pela protecção de músculos, articulações e ossos contra lesões.
Quem se machuca por causa da corrida muitas vezes reconhece ter sido negligente, mas lamenta não ser capaz de correr ainda mais. A personal trainer Carla D’Alessio, de 41 anos, diz que corre há 20 anos e já se lesionou muito. Por todo esse tempo, Carla conta que foi levando as dores na base do gelo e do anti-inflamatório – uma prática muito comum, aliás. Até que ela resolveu fazer duas maratonas num intervalo de seis meses. Depois dos 40, com pernas menos jovens, músculos insuficientemente fortalecidos e articulações fragilizadas pela colecção de lesões, emendar dois períodos de treino e duas provas bastante agressivas foi a gota-d’água. O resultado foi uma inflamação no tensor da fáscia lata (tendão na lateral externa da coxa) e uma pré-fractura na crista ilíaca (osso do quadril). “A gente só para quando se ferra”, diz Carla.
Fontes:

Por que a mulher é mais suscetível à fratura de stresse?


Por que a mulher é mais suscetível à fratura de estresse?

Por Dr. Adriano Leonardi | 22/10/2012


Lesões por estresse são mais frequentes em mulheres

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A participação feminina em atividades atléticas cresceu enormemente neste último quarto de século. Hoje, as mulheres constituem mais de 40% de todos os corredores de rua. Essa participação aumentada resultou em uma incidência maior de lesões por overuse.  As fraturas por estresse são lesões por overuse comuns observadas em corredores do sexo feminino e masculino. Essas lesões afetam atletas em uma ampla variedade de atividades esportivas.

Embora a maioria destas lesões sejam resolvidas com tratamento conservador simples, ou seja, não-cirúrgico, uma corredora com uma fratura por estresse pode perder performance por estar afastada do esporte. Em casos raros, estas lesões podem ser mais graves e necessitam de intervenção cirúrgica, que podem ameaçar a carreira desta atleta.

Embora a etiologia, o diagnóstico, e tratamento de fraturas por estresse sejam semelhantes em mulheres e homens, há questões específicas que afetam o sexo feminino, principalmente sua incidência que, segundo alguns autores, pode chegar a ser até 15 vezes mais frequente que no sexo masculino, principalmente em corredoras iniciantes.

As fraturas por estresse mais comumente afetam a extremidade inferior, sendo a tíbia o local mais afetado em ambos os sexos. Porem, nota-se maior prevalecia de fraturas por estresse do colo do fêmur, metatarsos, e da pelve em mulheres do que em homens.





Por que ocorrem na mulher?- O osso é um tecido dinâmico que responde à forças externas com remodelamento adaptativo que envolve a sua formação bem como a reabsorção óssea. A fratura de estresse ocorre quando as cargas colocadas sobre o osso excedem a sua capacidade de reparação, progredindo de um dano microarquitetural (reação de stress) para a ruptura cortical, parte externa ou a “casca do osso” (fratura por estresse).

Exatamente porque a lesão ocorre não é claro, mas o mais provável envolve uma complexa interação de fatores mecânicos, hormonais, nutricionais e genéticos. Esta interação é vista em sua forma extrema como a tríade da mulher atleta, que envolve distúrbios alimentares, amenorréia e osteoporose.

O equilíbrio hormonal é um componente importante para a saúde do osso feminino. A quantidade adequada de estrogênio é necessária para que as mulheres obtenham massa óssea máxima durante a segunda e terceira décadas. Corredoras que estejam em amenorreia (não menstruam) ou oligomenorreia (menstruam muito pouco) vão perder massa óssea em vez de adicionar osso durante estes anos cruciais e esta perda de massa óssea pode ser permanente.

Outros fatores de risco que podem predispor as mulheres a esta temida lesão são o tamanho reduzido e uma menor massa óssea muscular. A tíbia estreita tem sido apontada como um fator de risco para fraturas de estresse. Outro fator sustentado pela ciência estaria relacionado à diminuição da dissipação de carga associada com cansaço relacionado à fadiga muscular. Em esportes como a corrida, a musculatura da perna realiza o que chamamos de contração excêntrica (contração contra resistência), servindo como absorção de energia cinética. O uso diário de salto alto também seria um fator importante, pois geraria fraqueza do músculo tibial anterior.




Erros de treinamento são, sem dúvida, os fatores mais importantes predisponentes no desenvolvimento de fraturas por estresse em atletas do sexo feminino e masculino.

O aumento súbito na distancia, intensidade, ou uma mudança abrupta no programa de treinamento são os erros mais comuns. Outros erros de treinamento que podem aumentar o risco de fraturas por estresse incluem corrida em superfícies irregulares.

Como o médico faz o diagnóstico?-
A história da fratura de estresse em estágios iniciais é tipicamente de uma dor localizada associada a edema local que piora durante o esporte e melhora ao repouso. Se a lesão progride, a dor pode ser constante e atrapalhar atividades da vida diária. As fraturas de estresse aparecem mais tardiamente nas radiografias simples e os exames de escolha para sua detecção são a cintilografia com Tecnecio-99 e a ressonância nuclear magnética.

Devo ficar sem praticar esporte?-
Sim e não. Para corredoras com fraturas de estresse de tratamento não cirúrgico, orienta-se afastamento por 6 a 8 semanas. Geralmente, este tempo é suficiente para a cura da lesão. Porém, neste período existe catabolismo e perda de performance física. Portanto, o ideal é fazer uso de outros esportes para manter o Vo2 como o cicloergômetro de braço, bicicleta estacionária, deep-running e natação.

Algumas fraturas, no entanto, são de tratamento cirúrgico. Hoje são consenso entre os autores as fraturas do colo femoral, córtex anterior da tíbia e do osso navicular do pé.

Retornando ao esporte- O retorno ao esporte após uma fratura de estresse deve ser lento, gradual e assistido por equipe multidisciplinar. Fatores causais como problemas alimentares, osteoporose, doenças metabólicas, erros de treinamento, fraqueza de grupos musculares e pisadas patológicas (hiper-pronadores e hiper-supinadores) tem que ser corrigidos para prevenir uma nova lesão.

Concluindo- Embora as fraturas de estresse sejam comuns em ambos os sexos, mulheres que praticam esportes, em especial a corrida de rua, devem tomar alguns cuidados tanto na prevenção como no tratamento. O ideal é realizar uma avaliação e acompanhamento multi-disciplinar, triagem osteo-metabólica e realizar treinamento com um profissional da educação física especializado no esporte.