domingo, 7 de novembro de 2010

Dicas de Ouro para Corredores

Cuidados Antes, Durante e Depois da Corrida
Compiladas por
Osvaldo Maldonado Sanches





Seus pés merecem cuidados especiais, em particular antes das corridas longas - Como ressaltamos na Parte III das Dicas, os pés e as pernas são os “equipamentos” mais importantes para as suas corridas. Portanto, cuide sempre muito bem dos seus pés. Esse cuidado deve ser ampliado na semana que antecede uma corrida longa. Durante esse período dê a eles um tratamento especial, aplicando, todas as noites, antes de dormir, uma leve camada de vaselina (ou de creme hidratante) em seus pés, sobretudo nas partes em que existam calosidades ou trincas e vista meias macias e folgadas. Após esse tratamento a pele dos seus pés ficará bem amaciada e lubrificada, dificultando a formação de bolhas e/ou ferimentos pelo repetido atrito com o tênis durante a corrida. 

Inicie devagar e termine com desaquecimento: Procure iniciar a sua corrida com uma caminhada, seguida de alongamentos e de um período de 5 a 10 minutos de trote lento. Essa orientação é fundamental para o aquecimento e alongamento dos músculos, preparando-os para os exercícios subsequentes. Sempre que possível termine a sua sessão com 5 a 10 minutos de corrida lenta e/ou caminhada, para eliminar os resíduos acumulados nos músculos e para baixar gradualmente os batimentos cardíacos. Por razão similar, evite começar as corridas longas com ritmo intenso (salvo no caso de atletas de elite ou muito bem treinados e aquecidos). O recomendável, nesse caso, é correr os primeiros três km a uma média de velocidade que esteja 10 a 15 segundos abaixo de sua velocidade habitual para aquele tipo de corrida (meia maratona, maratona, etc.). Isso permitirá que o corpo se aqueça gradualmente até atingir um ritmo sustentável (as endorfinas só agem depois de 15 a 18 minutos de exercício) e preserve os estoques de glicogênio para uso na etapa final da prova.

Durante provas mais longas siga estratégias consolidadas: Como orienta Ayrton Ferreira, durante provas de percurso longo (mais de 10 km) três elementos devem estar presentes na estratégia do atleta: autoconfiança, tática e ritmo. A autoconfiança, ou atitude mental otimista, propiciada pelo adequado treinamento (por tempo suficiente e com intensidade apropriada) e pelos demais cuidados observados (na alimentação, repouso e seleção do equipamento). A tática, abrangendo a realista fixação dos resultados pretendidos (compatível com o nível de preparação do atleta) e a definição da conduta a ser observada em cada uma das várias etapas da corrida (aquecimento, inicial, intermediária, final e pós-corrida). O ritmo, cuja amplitude deve ser feita em relação a cada etapa da corrida de modo a obter transições suaves de uma etapa para outra e que o ritmo fixado para a etapa intermediária (que deve compreender 70% a 80% do percurso) possa ser mantido quase uniforme durante o trajecto e que o ritmo (mais lento) adoptado para os primeiros quilómetros favoreça o aquecimento gradual do corpo e a obtenção de um estado de corrida económica.

Esteja no controle de seu ritmo e preste atenção às mensagens do corpo: Em treinos ou competições de longas distâncias (10 milhas, ½ maratonas e maratonas) fique no seu ritmo habitual, ou seja, naquele para o qual você se acha preparado. Se não estiver disputando as primeiras colocações, inicie em ritmo bem confortável até que seu próprio corpo se mobilize para ritmos mais elevados. Essa estratégia lhe renderá frutos na segunda metade da corrida, ocasião em que muitos ficam pelo caminho. Além disso, mantenha-se atento às mensagens que o corpo lhe envia sobre a situação dos seus sistemas (digestivo, circulatório, locomotor, térmico, energético, etc.) para poder detectar, em tempo, sinais de que algo não está bem. Isso ocorre, por exemplo, quando uma “dorzinha” numa articulação, músculo ou ligamento começa a se tornar persistente ou quando o atleta, após devido aquecimento, se sente sem energia para correr e encara essa actividade como “penosa obrigação” e não como prazer (as corridas, embora cansativas, devem trazer prazer ao praticante). Quando isso não ocorre, é porque há algo errado no programa de treinos. Porém, correr com algum desconforto é normal. Em certos dias, nosso corpo tentará nos influenciar – por compreensível comodismo – no sentido de não correr. Nesse caso, siga a técnica de JAMES FIXX: “vista a sua roupa de corrida, calce o seu ténis e mude a sua meta para “apenas caminhar”. Se você estiver bem, depois de caminhar algumas centenas de metros a vontade de correr irá aparecer.”

Use técnicas apropriadas para comer e beber durante a corrida: Muitos atletas, sobretudo os iniciantes, enfrentam dificuldades para beber e comer durante a corrida. Embora isso não seja problema nas corridas curtas, torna-se problemático nas corridas mais longos pela perda de tempo que impõe a tais atletas. No caso da hidratação, uma técnica que dispensa a parada do atleta para ingerir água sem engasgar é a de realizar apenas um pequeno furo no copo de água, viabilizando a ingestão do líquido, em pequenos goles, sem parar de correr. No que se refere à reposição energética, essencial em provas com mais de uma hora de duração, existem três hipóteses básicas: a) utilização de compostos sob a forma de líquido, pasta ou barra (nutri, powergel, powerbar, etc.); b) utilização de frutas de elevado teor energético (uvas, bananas, passas de uva, figo, etc., c) utilização de castanhas e outros tipos de alimentos. No primeiro caso, a reposição deve iniciar após 40 minutos de prova (seus efeitos só ocorrerão após cerca de 20 minutos da ingestão) e ser repetida a cada 30 a 45 minutos de prova (dependendo da intensidade do esforço), de preferência de modo a coincidir com os postos de água. Nos demais casos, em que a conversão dos alimentos em energia será mais lenta, iniciar após 30 minutos de prova, comendo pouco e com maior . Em qualquer caso, a ingestão dos alimentos deve ser proporcional à massa corporal do atleta.

Após a corrida a prioridade é comer (carboidratos e proteínas). Beber e refrescar-se, só depois: Essa cronologia é fundamental pelo fato de que ao cessar o exercício a insulina (que controla o nível de açúcar no sangue), se torna particularmente sensível. O pico dessa “sensibilidade” ocorre por volta dos 18 minutos após o término do esforço. Assim, se o organismo receber carboidratos e proteínas durante esse período, a insulina promoverá a rápida conversão dos carboidratos em glicogênio (necessário ao reabastecimento dos músculos com a sua fonte principal de energia) e das proteínas em substâncias reparadoras (que actuarão sobre os danos musculares ocorridos com o exercício). Desse modo, ao mesmo tempo em que se combate a sensação de fraqueza que costuma se seguir ao término do exercício, se evita que o organismo destrua tecidos em formação (reparação ou reconstrução) para atender suas necessidades imediatas de energia. Importa observar que a ingestão de algum alimento (ou suplemento alimentar) durante a corrida não dispensa a ingestão de outros alimentos, em especial os ricos em proteínas, após o término do exercício.

Treinar é bom, mas descansar é fundamental: Ressalvado o caso de atletas jovens ou de elite (sob orientação médica), recomenda-se que se corra apenas “dia sim, dia não”, pois o intervalo de 36 a 48 horas é essencial para que o corpo se recupere do treino anterior. A ciência tem provado que a falta de descanso: a) sobrecarrega o corpo e compromete sistema imunológico (aumentando o risco de infecções respiratórias); b) afecta as funções cognitivas (dificultando a concentração, gerando ansiedade e afectando o sono); c) acelera o comprometimento de ligamentos e músculos (facilitando lesões). Assim, quando se corre muitos dias seguidos, ainda que lentamente, não se propicia o repouso necessário à restauração muscular. É por tais razões que Jeff Galloway, conhecido técnico nos EUA, observa que o descanso é tão importante para o sucesso quanto os treinos e propõe que ele seja regido por três regras: a) descansar antes de ficar exausto (se não o fizer a necessidade de descanso será maior); b) em caso de dúvida, descansar mais (em especial nos dias que antecedem corridas difíceis); c) não se iludir com “treinos fáceis”(qualquer “corridinha” impede que o corpo se recupere dos treinos fortes). A escala de descanso deve respeitar as seguintes normas: 1) atletas com até 30 anos: no mínimo um dia por semana; 2) atletas de 31 a 45 anos: dois dias por semana; 3) atletas de 46 a 55 anos: três dias por semana; 4) atletas de 56 a 67 anos: dois dias de descanso para cada dia de treino; 5) atletas de mais de 68 anos: três dias de descanso para cada dia de treino.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Minha 1ª vez em "Todo o Terreno"

No Centro Desportivo Nacional do Jamor, esta iniciativa contempla a realização de uma corrida de 9 km e uma caminhada de 3 km no âmbito do Programa de Incentivo à Actividade Física do Instituto do Desporto de Portugal, I.P. e a Câmara Municipal de Oeiras. 


A minha primeira prova "todo o terreno" :-)


Embora para os mais experientes neste tipo de corrida a alimetria do terreno seja uma brincadeira, para quem nunca fez este tipo de provas como eu a "coisa" não é tão simples assim. Há o inevitável receio das quedas e eu confesso que já tenho a minha dose!!!

Após o início do aquecimento, pouco tempo antes da prova se iniciar fomos todos brindados uma forte chuvada fria, diria ate que tive a impressão de ser granizo.  O professor que nos estava a dar indicações para o aquecimento e que por sinal era o meu professor de Cycling só nos dizia para abrir e fechar as mãos para não gelar...
Depois de ficar bem molhadinha fui para a meta, até parecia que estava num concurso da t-shirt molhada ;)

Os primeiros kms foram junto à pista de canoagem e em estrada seguindo depois para a mata.
Enquanto corri na estrada senti-me bem mas quando entrei no sobe e desce senti nas minhas costas como que umas facas no local da queda, mas ao fim de algum tempo além de enxuta já estava bastante quente e tudo passou para a única preocupação ser não escorregar e não bater nos outros.

Tentei estar atenta para a vista porque o amigo Jorge Branco já me tinha avisado que iria ter uma vista muito bonita... confesso que tentei ver... olhei rapidamente e vi "qualquer coisa" como uma vista bem bonita do Tejo, mas tive rapidamente que olhar para o chão... estava tudo molhado com lama!!! 
Ao mesmo tempo que dificultava também ajudava a travar nas descidas!

Gostei da experiência, mesmo!
Espero que para o ano se repita :-)

Só gostaria que a organização tivesse em atenção a partida de duas provas ao mesmo tempo a de 9kms e a de 3kms. Na de 3kms podem ir atletas rápidos assim como os que vão para passear com crianças e nem todos têm consciência do perigo que é andar com as crianças num espaço tão estreito como o que foi neste caso e todos a correr ao mesmo tempo. Não têm nada haver uma com outra.
Por me desviar de uma criança e não a aleijar é que eu caí à pouco tempo e fiquei bastante mal do joelho.

Eu e o Carlos ficamos contentes com o nosso resultado, para uma 1ª experiência. Consegui um 7º lugar no meu escalão :-)


No fim da prova encontramos o José Carlos Melo que fez a gentileza de tirar uma foto e que eu lhe "roubei" para por aqui.



Coitados dos meus ténis :-(





sábado, 30 de outubro de 2010

1ª edição do Corre Jamor


DICAS PARA O PERCURSO PRINCIPAL
Percurso principal do evento com 9 km - percurso na mata norte do complexo e em zonas de terra batida.
Com a chuva que se fez sentir hoje e que se espera amanhã certas zonas apresentam lama é preciso uma precaução extra nas descidas e em zonas escorregadias.

INSCRIÇÕES ESGOTADAS
Atletas inscritos 291010
Esta primeira edição já é um sucesso, as inscrições estão esgotadas.
www.correjamor.com




Será que me vai acontecer o mesmo que a estas meninas?



domingo, 24 de outubro de 2010

Corrida do Tejo 2010

A minha estreia nas corridas foi na Corrida do Tejo em 2007.
Tão crua estava nestas andanças que eu e o Carlos acabamos por correr sem chip embora nos tivéssemos inscrito. Quando descobrimos onde era para levantar os chips já não dava...

Pois é com muita mágoa que este ano não vou poder participar na mesma.
Devido a uma queda que me fez ficar com as costelas magoadas, mas não partidas, vou ter que durante a próxima semana ter cuidado até no dia a dia. 
Proibida pelos médicos de correr :-(

Quero ver se pelo menos no domingo consigo ir fazer a prova no Jamor, com cuidado e devagar.
... e se fico boa depressa para continuar a minha luta pelos treinos para a Maratona.

A minha falta de tempo por vezes, a queda que deu cabe do meu joelho e agora isto... parece que alguém rogou uma "praga" para eu não fazer a Maratona.

Como mulher optimista que sou, continuo a achar que irei conseguir!


"Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio." Raul Seixas


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais uma experiência...

Nunca fiz uma prova desta natureza, estou habituada à estrada mas proponho-me fazer esta prova porque acho necessário começar a habituar-me a outro tipo de piso. Não me vou preocupar com o tempo, mas sim com a experiência que poderei adquirir.


Principalmente vou querer ter muito cuidado para não torcer os pés e não dar nenhum jeito ao meu joelho para que a recuperação continue...



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

o objectivo....

Sabem que cada vez gosto mais de correr? Pois é!!!

Sendo um pouco poeta nas minhas palavras....

Os meus treinos continuam uns dias com muita força e determinação, outros nem tanto por causa de uma queda e de um joelho "deitado abaixo"... que incha e doí cada vez que corro...

Assim vou eu... tentando "driblar" os obstáculos que se vão deparando no caminho... sejam eles práticos ou psicológicos.

"Não me desencorajo, porque cada tentativa errada descartada é outro passo à frente."
(Thomas Edison)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Já está!!! Agora não posso voltar atrás!!!


A INSCRIÇÃO ESTÁ FEITA!
Não sei o que vou conseguir... se vou conseguir... MAS VOU TENTAR!!!

“O milagre não é eu ter terminado, é ter tido a coragem de começar”
 John Bingham, colunista da revista Runner’s World


5 de Dezembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quem explica a maratona?

Pois é... tenho andado a ler aqui e acolá algumas experiências de corredores e optei por alguns dos artigos que leio e acho interessantes publicar excertos aqui no meu blog.

Experiências partilhadas são sempre uma mais valia para todos os que as lêem, há sempre alguma coisa que nos faz pensar e nos alerta.



Por qualquer ângulo que se olhe, a maratona é um exagero..../... Muitos quilômetros, muito treino, muita dedicação. Já falei isso aqui no blog, a meia tem as vantagens da maratona sem o ônus do exagero. A meia é uma corrida de longa distância, oferece os atrativos do endurance, permite velocidade, diminui a necessidade de musculação. Para quem não acha tempo para treinar, uma opção muito mais inteligente.
Mas é a maratona o sonho de consumo de muita gente. Não tem jeito. 42 mil em Nova York, 200 mil tentando vaga para a de Tóquio, 35 mil em Paris e Berlim, briga de foice para conseguir vaga para Londres, uma loucura. Por que tudo isso?

É bobagem tentar explicar a maratona pelo racional. Não dá. É uma prova emocional. .../...Ele não falava de sua primeira maratona, do esforço todo para conseguir correr, sentimentos comuns de maratonistas de primeira viagem. Ele se referia ao evento em si, na grandiosidade de uma maratona como a de Chicago. E como ele se sentia especial em participar daquilo.

Outro dia, vi duas fotos. Uma da Nike Human Race na USP. 20 e poucas mil pessoas agrupadas para correr 10 km. E uma foto da largada da Maratona de Paris (foto). Corri as duas. O mar de gente é o mesmo. Duas lindas festas. A diferença é o intangível, o que está por trás daqueles rostos todos. .../....
Na maratona não. Todo mundo que está correndo ao seu lado tem uma história comprida. Os iniciantes e os que querem baixar as três horas carregam um currículo suado de meses. Há uma autenticidade naquilo tudo que contagia. .../....

http://runnersworld.abril.com.br/blogs/correria/quem-explica-maratona-220702_p.shtml

A IMPORTÂNCIA DA RECUPERAÇÃO

Experiências..... de um Maratonista...

Era a última coisa que me preocupava. Quando me preparei para correr a minha primeira maratona.../... A gente se prepara para terminar a maratona, não para suportar os dias seguintes.../...

O desgaste da prova, o desânimo natural depois de atingir o objetivo máximo e a falta de planejamento para os dias seguintes contribuíram igualmente para a “depressão” pós-corrida. Eu realmente não havia pensado o que faria nas horas seguintes à prova. Após concluir os 42,195 quilômetros em 4h08min, simplesmente parei de correr. Fiquei uns 10 dias sem fazer absolutamente nada. Na hora da volta, paguei o preço. Não conseguia render, ficava desanimado e a bola de neve crescia. Paguei o preço da inexperiência.

Aprendi, de maneira dura, que era preciso um plano para o pós-prova. Não apenas isso. Era preciso, também, uma estrategia para as recuperações dos longões, muito desgastantes no período de treinamento. Para a primeira maratona, quando treinei sozinho, fiz apenas uma corrida de 30km, com recuperação de 3 ou 4 dias. Para a segunda, que foi em outubro de 2009 em Chicago, ainda sozinho, fiz dois de 30km e muitos outros entre 21 e 26km, alternados com descanso de dois dias. Mas passei, também, a me preocupar um pouco mais em como fazer para me recuperar melhor fisicamente. De cabeça, já tinha aprendido na marra. Com meu corpo, a experiência me fez conhecê-lo melhor e desenvolvi algumas técnicas. Depois de alguns dias da prova de Chicago, que fiz em 4h09min, já estava correndo e, poucos meses depois, fiz uma ótima São Silvestre..../...
A primeira coisa que fiz (e que recomendo a qualquer um) foi buscar um acompanhamento profissional..../...
A evolução já é óbvia. Na primeira maratona, zerado, sem experiência alguma, recuperação absurdamente difícil. Na segunda, ainda sem acompanhamento profissional, mas um pouco mais rodado, recuperação boa. Agora, para a terceira, com tudo “em cima”, a expectativa é ainda melhor. Afinal de contas, depois de cruzar a linha de chegada, a vida continua. E o desejo de correr mais e mais também!

Artigo sobre "Tomada de decisão durante a maratona"

Alcançar seus objetivos na maratona requer que muitos fatores aconteçam em conjunto no dia da corrida. Muito mais do que nas provas mais curtas, as decisões que você toma durante a maratona geralmente têm um grande impacto no resultado da competição. Essa é uma das razões porque a maratona não é apenas uma outra corrida. Duas decisões-chave durante a maratona são: 1) quando correr sozinho no seu próprio ritmo ou aumentar/diminuir a velocidade para acompanhar um pelotão; e 2) em um dia ruim, quando insistir ou abandonar. Vamos examinar essas duas decisões importantes na maratona.

Você deve mudar seu ritmo para correr no pelotão? 

Correr em um pelotão é consideravelmente mais fácil mentalmente do que correr sozinho. Há também um pequeno benefício físico de correr no pelotão, o qual fica bem mais significativo se estiver indo contra o vento. A vantagem de correr no pelotão é devida à redução da resistência do ar, a qual foi estabelecida em 2 a 3%. Se você permanecer no pelotão por todo o percurso, poderia teoricamente correr a maratona de 3 a 5 minutos mais rápido. Os benefícios de correr no pelotão aumentam quanto mais rápido você corre, então há mais vantagem para os líderes do que para os corredores mais lentos.

Infelizmente, é improvável que outros corredores formem um grupo ao seu redor por todos os 42 km. O mais provável é que haja trechos da corrida nos quais você correrá sozinho, seja tentando entrar em um grupo à sua frente ou gradualmente sendo alcançado por um pelotão vindo de trás. Se você se encontrar na última situação, prepare-se para entrar nesse pelotão de modo que eles não o passem. Isso é particularmente importante se você estiver um um dia ruim. Você pode freqüentemente reverter uma corrida ao colar em um pelotão e acompanhá-lo implacavelmente. O fator psicológico de colar em um pelotão é grande quando você está tendo uma corrida ruim e sentindo-se por baixo.

E se encontrar-se em um pelotão que está indo num ritmo mais rápido do que você pode manter? Bem, se o pelotão é grande as chances são de que não estará sozinho nesse dilema. Ao ficar perto do final do pelotão você pode descobrir que ele naturalmente se dividirá em dois grupos, e que o segundo grupo irá desacelerar um pouco para um ritmo que você pode manter. Um pouco de conversa pode alguma vezes facilitar esse processo. Um rápido "como está indo?" para o corredor ao seu lado pode revelar um espírito camaradagem que o deixará feliz em diminuir um pouco o ritmo para correr com você.

É claro que você pode encontrar-se numa situação na qual ficar no pelotão o atrasará. Você então terá a difícil decisão de sair do pelotão sozinho. Sair sozinho o coloca numa situação vulnerável, na qual o pelotão está atrás de você esperando para o engolir. A questão é: você precisa tomar esse risco. Você treinou muito duro para acomodar-se em um grande pelotão e permitir que a falta de coragem comprometa seu resultado. O único momento para acomodar-se em um pelotão mais lento é quando está correndo contra o vento. Ainda assim, quase todas as maratonas têm algumas curvas e eventualmente você ficará livre de correr contra o vento e estará "a salvo" para buscar o próximo grupo de corredores à frente.


Quando deve-se abandonar? 

Se você está tendo uma maratona desastrosa, só tem duas opções. Você pode ou continuar penosamente ou abandonar. Completar a maratona é a melhor opção, a menos que: 1) você se lesione ao continuar; ou 2) o retardamento da recuperação ocasionado caso complete interferirá em conseguir seus objetivos na maratona.

Como você pode saber se irá lesionar-se ao continuar? Você não tem como saber realmente, mas pode fazer uma boa suposição. Se estiver sem energia, tendo câimbras, se a corrida está dolorosa e a dor estiver aumentando, então você definitivamente deveria parar. De forma similar, se estiver tonto, incapaz de concentrar-se ou tiver sintomas de exaustão pelo calor, deve parar. Por outro lado, se estiver apenas com a musculatura presa ou moderadamente dolorida, ou estiver sentindo-se miserável, então deveria terminar o que começou.

Se você está tentando conseguir um determinado tempo de classificação e diminuiu o ritmo ao ponto no qual não terá mais como alcançar a marca, então pode ser sábio abandonar a maratona e dar a si mesmo a chance de obter o tempo de qualificação em outra prova. Por exemplo, se você está tentando obter o tempo de qualificação para a Maratona de Boston em uma prova em setembro, então abandonar pode ser uma boa idéia já que poderia recuperar-se mais rápido para uma outra tentativa em outubro ou novembro.

Alguns corredores tentam se enganar com a idéia de que há uma terceira opção, que seria transformar uma maratona ruim em um "treinamento". O perigo de decidir durante a maratona que ela é apenas mais uma corrida de treinamento é que, uma vez que você começa a fazer isso, é bem fácil repetir essa atitude em outras maratonas. Há um momento da verdade (algumas vezes é mais como uma hora da verdade) em qualquer maratona na qual você não sabe se poderá continuar correndo no ritmo almejado. Ter a opção de transformar a competição em um treinamento acaba com o momento da verdade e reduz a maratona a apenas mais um dia normal.